Com a experiência de ter viajado de avião, no período de um ano, 39 vezes, sendo a maioria dos vôos para o Rio, Brasília e Foz do Iguaçu, todos partindo de São Paulo (Congonhas preferencialmente), posso afirmar por experiência própria: o sistema de tráfego aéreo brasileiro nunca funcionou. Fico me perguntando o quanto desse "escândalo" atual é frescura da classe média ou exagero da imprensa. Os aeroportos são o caos. Os atrasos sempre foram uma constante. E, principalmente, as companhias aéreas são grosseiras e despreparadas para atender a demanda, ainda mais depois da quebra da Varig – que, é bom enfatizar, também era uma grandissíssima porcaria.
Nunca tomei um vôo para Brasília nos primeiros horários da manhã (entre 6h e 10h) que não tenham atrasado em pelo menos uma hora. Vários compromissos em Brasília eram cancelados e remarcados por conta disso, tanto que sempre saíamos no dia anterior à noite, sendo obrigados a pagar hotel e perder uma noite à toa, pois era muito arriscado confiar no sistema.
Voltando de Brasília para Sampa, já desci em Campinas (Viracopos) porque, com o "engarrafamento" aéreo em Congonhas, o avião da Gol, sem combustível, não tinha como ficar sobrevoando a área até abrir uma janela para o pouso. Outra vez, no mesmo trecho, tivemos de descer em Goiânia, pois o avião estava sem autorização de continuar a viagem. De Belo Horizonte a São Paulo, certa vez, fomos todos parar no Galeão, pois um vôo fora cancelado no Rio e o nosso fora convocado para repô-lo: que se dane que isso atrasaria a viagem dos passageiros em mais de 3 horas.
Foram inúmeros contratempos. Indo para Joinville, não conseguimos descer, pois os aparelhos do aeroporto estavam com pane: pousamos em Florianópolis e a companhia aérea nos levou de ônibus até lá. Para Porto Alegre, também descemos (de Varig) em Curitiba e ficamos lá por 2 horas, na pista (não taxeamos, não havia hangares livres) até que os aparelhos fossem consertados.
E por aí vai. Já fui para Fortaleza tendo de tomar 6 escalas (quem vai para a Argentina pela Gol saindo do Rio, também). Várias capitais nordestinas e no norte do país não têm vôo direto, só com milhares de escalas – tente ir para Alagoas, Belém ou Palmas. O Centro-oeste do país está todo concentrado em São Paulo, de forma que para ir de Cuiabá a Campo Grande, provavelmente você terá de ir para Brasília ou Cumbica.
Viajar sexta-feira à noite no Brasil, nos principais aeroportos do país, é, e sempre foi, um pesadelo. Há a possibilidade de você chegar a Congonhas e não conseguir lugar para sentar enquanto espera. Vôos para Minas Gerais sempre, sempre, sempre atrasam, exceto os que saem no meio da tarde de Brasília (por que será?). Já descemos em Recife (no belíssimo aeroporto de Guararapes) e não ter táxi para nos levar embora – e termos de esperar no mínimo 50 minutos até um atender o nosso chamado.
Já tive minhas malas extraviadas, já perdi vôos porque a atendente da Tam deixou minha carteira de identidade cair no chão, já tive de sair de Congonhas e pegar vôo em Cumbica e a Gol só liberar passagem da Ponte Aérea partindo do Galeão (detalhe, não me reembolsaram o táxi). Isso, deixo bem claro, era o normal, o corriqueiro. Agora, depois do "apagão aéreo", a coisa só ficou explícita e atacou todo mundo, mas eram constantes, sempre foram.
Há vôos que descem em Confins (MG) depois de, vejam vocês, o aeroporto estar fechado (!). O vôo Gol sai de Sampa às 22h e vai até Uberlândia. Lá, troca-se por uma aeronave menor que desce numa área privativa do aeroporto depois das 0h. Leva-se 3h numa viagem que não passaria de 50 minutos. Não há como sair de lá (fica a 50 km do centro de BH), a não ser que você chame um táxi da cidade e, quase quarenta minutos depois, ele te leve até a capital mineira por absurdos R$ 65.